Na noite de Sábado fui até à Nazaré para levantar o chip, no site da prova anunciou que a hora de abertura do secretariado seria as 20:00, mas quando cheguei eu e o mais participantes, vimos que afinal a hora tinha sido alterada para as 21:00.

Fui até à pastelaria Batel, beber um galão e comer a famosa broa de mel, que desde o inicio desta prova, é oferecida no final dos 21kms.

Já em casa verifiquei que o dorsal este ano seria personalizado.
No domingo de manhã, lá estava eu mais 1300 participantes, desta vez optei por não levar a bolsa à cintura, pois no ano passado estorvou mais do que ajudou, como costumo correr com uns calções de praia que tem um bolso atrás foi aí que meti tudo o que precisava, o telemóvel com mp3 e rádio, a chave do carro e 4 gels da Decathlon, dois maiores de Endurace e mais dois de bisnaga.

Como é hábito foi a Rosa Mota que deu a partida e lá começamos a correr.
Devagar devagarinho para não me esgotar logo ao principio e rapidamente fui vendo aquela massa de atletas a passarem-me... Quando começo a descer para a praia 4 kms depois a minha esposa telefona-me a perguntar aonde é eu estava, porque já tinha passado quase todos os participantes...
Passo por ela e pela minha filha e dirijo-me à marginal novamente para seguir em direcção ao porto de abrigo, por vezes alguém grita o meu nome, sensação estranha mas agradavelmente motivadora, a consequência de levar o dorsal com o nosso nome. Depois de passar o Porto de abrigo começo a fazer as curvas que me levam em direcção a Famalicão da Nazaré, começo a notar que o relevo do alcatrão nas curvas causa-me algum mau estar nos tornozelos, mas tudo bem, ainda é cedo.
Fico perto de um grupo em que uma atleta começo à um ano a correr e já tinha participado em mais de três ou quatro meias-maratonas, o seu objectivo tinha sido perder peso, tendo tirado 15 cms da cintura e pela conversa, agora a corrida já não era apenas perder peso, mas sim divertir-se saudavelmente. Entretanto passa por nó o único participante em cadeira de rodas, não consigo evitar um tremor pelo corpo cada vez que vejo um atleta com cadeira de rodas, eu e o pessoal batemos palmas em sinal de respeito pela força e motivação. Mas logo de seguida arrependi-me te ter batido palmas, e meti-me na posição deste corredor: "Porque carga de água, estão a bater-me palmas? Acham que sou menos do que eles? Estarei a fazer alguma coisa que eles não estejam a fazer? Não estamos todos na mesma corrida? Ou o meu suor é diferente do deles?" Na verdade as palmas que batemos a este atleta não foi por ele ser deficiente e estar a fazer uma coisa "espectacular", mas sim, por respeito à sua força de vontade e de não se resignar e manter o seu coração a bater e a suar. Essa sensação é única e comum a todos os que ali estavam e por isso creio que para a próxima vez que me cruzar com um outro atleta com deficiência não voltarei a bater palmas porque para isso teriam que bater palmas a todos o outro que ali estavam.
Depois, um outro corredor mostra-me o hematoma que fez ao ir de encontro a uma das divisórias que estavam no meio do percurso, estava bem negro, começamos a falar e sem nos darmos conta avançamos a um ritmo mais rápido para o ponto de viragem da corrida ao Km 12 ou 13, o pelotão da corrida já à algum tempo se tinha cruzado connosco. Antes de cada posto de abastecimento de água tomava um gel, isto repetiu-se 5 em 5 kms, boa opção pois nunca me senti cansado por falta de alimento.
Eu e o meu companheiro de corrida lá fomos correndo um ao lado do outro, falando disto e daquilo, sem reparar no local onde no ano passado cheguei a andar, passei a correr, mas à medida que os kms se aproximavam do fim, uma dor na perna direita ia aumentanto assim como o meu ritmo cardiaco (160bpm de média).
A 2 kms do fim, não consegui acompanhar o meu companheiro a perna direita estava a queixar-se e abrandei o ritmo apesar da motivação que ele deu. Felizmente eu sei os meus limites e sei que tenho que os respeitar, ele segui em frente e é assim que gosto que as coisas se passem, estamos juntos em quanto der se um de nós ficar para trás o outro tem que seguir a sua corrida, umas vezes ficou eu para trás, outras vezes sou eu que sigo em frente.
Recta final, na marginal é incrível a quantidade de garrafas e tampas espalhadas pelo chão, temos que ter cuidado para não tropeçarmos entretanto passa por mim a carrinha com os painéis com a marcação dos Kms, já estão poucos atrás de mim, passo a meta, 2:18 minutos.
Encontro-me com o meu companheiro de prova, agradecemos a companhia um ao outro, entrego o chip e levanto o saco com os brindes deste ano, meto a mão lá dentro para apanhar a broa de mel que como de imediato, telefono à família e vou para o carro a coxear da perna direita, o dia de Sábado no Festival Bike tinha deixado mazelas, já não andava de bicicleta à duas semanas e creio que puxei demais por mim quando testei 5 bicicletas...
Quando vou para o carro passam os dois últimos corredores, um Português e um Inglês, com mais de 50 anos a correr com uma camisola de um clube algarvio.
Hoje, segunda feira só me doi a perna direita a esquerda está boa, até os tornozelos estão bons...
Vou deixar o Voltaren fazer efeito...