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terça-feira, 21 de julho de 2009

12 Horas BTT Proença-a-Nova - Versão Longa

Um ano depois de volta a Proença-a-Nova para as 12 Horas BTT da Horizontes. Desta vez não no aeródromo como no ano passado, mas bem dentro da localidade. Confesso que fiquei um pouco apreensivo por ver que a prova iria passar no centro, mas afinal tudo resultou numa boa surpresa! Devido ao facto de Proença estar em obras, as condições não foram as ideais, mas a abordagem séria e honesta do Paulo, o organizador, fez com que toda a gente estivesse bem disposta, para 2010 as obras já estarão realizadas!
Com 5 provas de 24 horas e uma de 12, já dá para ter uma ideia do que é e não é necessário.
Desta vez a alimentação centrou-se mais na utilização de barras energéticas e de proteínas, gels e uma bebida energética, isto é, com mais hidratos de carbono que as habituais bebidas isotónicas. Levei também pão com manteiga de amendoim com mel. Uma outra coisa a levar, é uma bicicleta a mais, mesmo que esteja velhinha, pode servir para dar mais uma volta ao circuito e quem sabe, subir um lugar ou dois na classificação, ou quanto mais não seja, para continuar a sofrer as horas que pagaram!!!Chego a Proença, faltam 5 horas para as 10:00 da noite, a hora da partida. A primeira pessoa que reconheço é o António Girão. Estaciono o carro mesmo à beira da pista, a 50 metros do arco da meta. A razão principal de chegar tão cedo a esta prova foi a necessidade de dar uma volta de reconhecimento antes de anoitecer. De noite, parece que o percurso é outro, mas arrancar de noite e sem ter a mínima ideia de como é o percurso não é muito aconselhável!
Calções, sapatos e luvas e estou pronto! Quem também está pronto para sair é o António Girão e a Filipa do S.C. Leiria e Marrazes, os três vamos participar a solo. Saímos juntos. Depois de uma subida e descida em alcatrão entramos fora de estrada num monte de pedra solta logo seguido de uma curva à esquerda e outra à direita e apanhamos uma parede bem inclinada, segunda secção da imagem da altimetria! Bem, não vou descrever as outras subidas. Pronto, está bem, havia também mais uma subida com umas pedras irritantes que teimavam em por-se à frente das rodas comprometendo a tracção. Acumulado: 209.57 metros - Distancia: 7.820 metros

Uma subida que adorei fazer foi um pequeno single track cheio de curvas, metia o prato pequeno e toca a pedalar, vira à esquerda, vira à direita, torna a curvar à direita, BTT a sério!
No final partilhamos a mesma opinião, é um percurso difícil com muita altimetria, mas que vai dar um grande gozo de fazer! Há pois, já me estava a esquecer, o pó, era muito.19:00, faltam 3 horas para a partida, hora de comer, mais um "agradável" jantar de Hidratos de Carbono e Proteínas.
A hora aproxima-se, depois de montar o dorsal ,fomos meter as bicicletas no parque fechado e dirigimo-nos para a partida, encontro-me com o Paulo Vieira, que conheci nas 12 horas do ano passado, metemos a conversa em dia e são 10:00.
Partida, tipo Le Mans, tudo a correr para as bicicletas, apesar de um ou outro pé torcido este método resulta bem, nada de engarrafamentos.
Desta vez, como são 12 horas, queria fazer algumas coisas que não tinha experimentado tal como encarar a prova com mais ritmo, diminuir mais as paragens, ter mais atenção à manutenção da bicicleta e acertar e respeitar as horas das refeições.As primeiras voltas são feitas com muito pó, que iluminado pela luz que levo se torna branco e não deixa ver bem os trilhos. Pedalar, pedalar e pedalar, à ,medida que as horas vão passando, cada vez há menos pessoal em pista. O cansaço faz com que quando paro me esqueça de uma ou outra coisa que queria fazer, ou era a lubrificação, ou comer agora uma barra, ou apanhar uma banana. Algumas das paragens são feitas para limpar o pó da transmissão e lubrifica-la. Ás 2 horas da manhã troco a bateria da luz, reabasteço os bolsos, está na hora de uma barra de proteínas. Na descrição dizem barras de recuperação, indicadas para depois do exercício, mas aqui temos mesmo que meter as proteínas durante, comi mais uma e guardei outra para o final. Na zona da meta havia bananas e laranja fresca cortada, parei aqui umas quantas vezes. Mais pedaladas.
Durante a noite dei uma volta com o António Girão, pomos a conversa em dia, tento-o convencer a fazer um blogue e lá segue ele!
O cansaço chega e uma dor no joelho direito que tinha aparecido dois dias antes obrigou-me a um esforço suplementar da perna esquerda que já lá mais para o fim também se estava a queixar. De manhã o calor também começou a apertar, para prevenir, bebi uma garrafa de água com uma saqueta de um pó com electrólitos.
Entre as 8 e as 9 cruzo-me com o Paulo Vieira, mais conversa, desta vez sobre os benefícios de ter um treinador para nos orientar e também das massagens!
Alguns escuteiros, já cansados dormem onde podem! Durante toda a noite estiveram nos cruzamentos de estrada!
Mais uma volta e já está, talvez por saber que é a última faço-a mais lentamente, mas a meta está a chegar, despeço-me de cada subida que faço, pelo menos este ano já não irei lá voltar!
META!!!
Terminaram as 12 Horas de Proença-a-Nova! Só quando parei é que reparei que realmente estava calor! Bebo mais umas águas, não tenho muita pressa, fico por ali a ver os que faltavam chegar.
Por causa das dores no joelho e no gémeo, fui ter à zona onde estava a equipa do Mário Gamito a fazer massagens, ele é que é o massagista do Paulo Vieira. Pela primeira vez, deram-me uma massagem profissional, que maravilha. Quem puder experimentar, que o faça, é altamente recomendável!
Banho, entrega de prémios e almoço, hora de voltar.
Agora tenho outro desafio, chegar a casa. Sei que não é muito recomendável agarrar no carro e andar por aí com uma directa em cima, depois de andar a pedalar durante 12 ou 20 horas, mas estava muito calor e por isso tinha que escolher entre tentar dormir ali mesmo no carro ou seguir viagem até à próxima estação de serviço. Segui até à próxima estação de serviço, entre Coca-Cola, cafés e água fresca na cabeça, costas e pés, lá cheguei a casa.

Resumindo, adorei esta prova, fiquei em 7º lugar, mas foi como se tivesse conseguido um 3º ou 4º, pois terminei com a consciência tranquila, dei o meu melhor, tentei puxar sempre, mantive os batimentos sempre acima das 140 pulsações (136 bpm média). O circuito era difícil tecnicamente com um acumulado por volta de 209,57mts, acabei por fazer um total de 3981 metros, se virem o gráfico dá bem para ver que subidas eram muitas e longas e as descidas eram poucas e curtas. Lembrei-me algumas vezes dos treinos de estrada que tenho feito a subir os montes que há por aqui, ainda bem que os fiz. Fiquei também satisfeito por verificar que fiquei apenas a 2 voltas do vencedor e a uma volta do 2º classificado.
Quem teve algum azar foi o António Girão que terminou em 6º com o mesmo número de voltas do que eu, um desviador partido e dois furos, tiraram-lhe a possibilidade de ter subido mais na tabela, mas isto faz parte deste desporto, estes contratempos... Por isso há que anteve-los e foi isso que ele fez levando duas bicicletas.
Gostaria de chamar à atenção para a qualidade de apresentação das classificações da prova, mais ninguém faz isto em Portugal!!! A empresa responsável foi a SIIM.
Este ano acabaram-se as provas de 12 e 24 horas para mim. Já estou com uma ideia de algumas das provas a fazer até ao final do ano.

Fotografias da prova aqui.
Recaldo no ForumBTT aqui.

terça-feira, 12 de maio de 2009

As minhas 24 Horas em Castelo Branco

Considerem o primeiro post sobre este assunto a versão curta, e esta a versão longa. Poderia sintetizar mais este post, mas não sou capaz pois acho que alguns de vocês são como eu e gostam de saber todos os pormenores. Aqui vai:

Em 24 horas, muita coisa acontece e muita coisa se faz. 24 horas até dá para durar semanas!
As minhas 24 horas no último fim de semana, foram para pedalar em Castelo Branco nas 24 Horas BTT da Horizontes.Ás 9:30 chego a Castelo Branco, já há algumas equipas a preparar as bicicletas e os locais de apoio aos seus atletas. Levanto o chip e procuro um lugar para estacionar. O local para a assistência é feita dos dois lados da descida em direcção há meta. Estaciono o carro começo a preparar as coisas para a minha assistência, faltava a geleira com o almoço e umas latas do Touro Vermelho... Bolas!!! Quanto ao almoço, não havia problema tinha sandes, fruta, barras e gels, mas a cafeína era essencial para aguentar a madrugada mais ou menos acordado. Vejo o António Girão com um saco do Jumbo e pergunto-lhe onde é que ele tinha ido e lá fui eu a pé até ao centro comercial Allegro, serviu de aquecimento.As 11:30 aproximam-se, o Paulo Garcia dá algumas explicações sobre o funcionamento do chip de controlo, que estava numa pulseira presa ao braço direito e que tínhamos que passar por um tapete montado do lado direito, mais próximo do método utilizado as provas dos EUA, com a diferença de que lá o chip está preso à perna e os atletas têm que passar a pé por cima dos sensores. Passo protector solar pelo corpo, besunto os calções com vaselina e as partes de contacto com o selim com creme Barral (gesto repetido inúmeras vezes ao longo do dia...)
12:30 Horas
Partida, lá vamos nós, não penso nas horas que estão pela frente, ainda é cedo para isso, penso sim é que no fim de beber os 2 litros de bebida isotónica terei que parar para me reabastecer. Optei por inicialmente levar o CamelBak. Estava muito calor e queria fazer o menor numero de paragens possíveis. 19 minutos depois estava feita a primeira volta, começo a fazer cálculos para ver quantas voltas teria que fazer para conseguir o meu objectivo que era passar a barreira dos 300 kms. Depressa esse pensamento sai-me da cabeça.
Encontro o João Pina, entusiasta das Single-Speed, com quem já me tinha cruzado no forumbtt e nas 24 Horas de Viseu. Muitos podem pensar que participar a solo é uma aventura demasiado solitária, mas não, antes pelo contrário, aqui a pressa é outra, diferente dos que vêem por equipa que dão o seu melhor em cada volta. Eu e o Pina estávamos com mesmo ritmo, portanto foi fácil andarmos juntos, se um parava para abastecer, o outro continuava para mais tarde nos tornar a encontrar.
O sol está forte e a queimar, o pó é muito, mas de tempos caem algumas gotas do céu, estamos a chegar ás 6 horas de prova, para me prevenir passo pelo carro e agarro o colete impermeável.
O capacete e o sal do suor não jogam bem e a testa começa a doer, passo pelo carro e aplico Barral e ponho uma fita à tenista, não fico muito estilo", mas o fica problema resolvido
18:00 Horas
A oeste o horizonte vai-se transformando numa enorme massa densa azul escura. De repente o vento levanta-se e após uma rajada mais forte que lança as barreiras em frente ao centro comercial ao chão e após um enorme relâmpago, começa a chover! Eu e o João começamos a pedalar o mais depressa possível para tentarmos escapar, mas quando chego ao carro, já estou molhado... Abro a mala do carro e sento-me, não estava preparado para isto, agora a tenda teria sido útil! Aproveito para comer, procuro a roupa para mudar, já chove menos e não quero passar o resto do dia há espera que o sol volte, visto as calças e ponho as capas de neoprene nos pés. Tempo para mais mas voltas, agora sem pó mas com muita lama.
O CIRCUITO:
O circuito era curto com menos 2 quilómetros que que estava planeado, ficou com 5 ou 6 kms. Muitas voltas foram dadas, se cada volta durasse 20 minutos, numa hora daria para fazer 3 voltas, em 12 horas 36 voltas e em 24 horas, 72 voltas. O melhor tempo por volta foi de 13 minutos, mas seria bastante difícil manter essa velocidade (25 km/hora), isto se o circuito tivesse 5,5 kms. Não tinha muitas subidas pronunciadas, e descidas apenas duas ,uma a chegar à meta e outra a chegar ao túnel de acesso ao centro comercial Alegro, portanto a facilidade do percurso tornou-o difícil, ao não haver zonas dessem para descansar.O JANTAR:
A organização a pensar nos participantes que iam a solo e sem apoio deu-lhes prioridade no acesso ao jantar. Eu reunia essas condições, mas não foi preciso, comi: 2 pratos de sopa, um enorme prato de massa com carne picada, uma salada de fruta, muita coca-cola e um café!!! Um exagero?? Não, já estou habituado! Em casa, alguns dos treinos que faço no rolo em casa é depois do jantar a ver televisão!!! Estava farto de bolos, barras, gels, e bebida isotónica. Claro que as 2 voltas após esta bela refeição foram feita a um ritmo mais lento.
O jantar foi importantíssimo tanto fisicamente como psicologicamente.
De volta ao circuito torno a encontrar-me com o João Pina, montado na sua Skyde Single Speed sem suspensão... Gostava de experimentar uma SS mas daí a participar numa prova de 24 horas sem suspensão e com uma só mudança... Ui... Já tinha algum respeito por quem fazia longas distâncias em SS, depois de passar umas horas com o João esse respeito aumentou ainda mais!
12:00 Horas
Metade está feito, agora a contagem é decrescente, vou comendo o que tenho, com regularidade, tornei a levar batata doce, é uma comida natural cheia de hidratos de carbono naturais, fiz também um bolo instantâneo de Laranja do Pingo Doce, ainda lhe adicionei passas e duas colheres de pó de proteínas de Soja, o sabor não ficou mal de todo e o corpo agradeceu. A mesa a seguir ao controlo dos Chips este sempre com água fresca, bananas e laranjas, fui cliente e a laranja estava uma maravilha.
A chuva foi-se embora mas a lama ficou, a organização disponibilizou também uma zona de lavagem das bicicletas, como já se amontoava muita lama no quadro e transmissão, parei para a lavar. As voltas vão sendo dadas, a luz Sigma Karma é suficiente, mais uma vez levo-a no capacete, para mim a melhor solução para quem tem apenas uma luz, como as noite estão mais curtas e tenho duas baterias, andei a maior parte do tem em médios e máximos. As paragens limitavam-se a meter óleo na corrente, a comer qualquer coisa enquanto e preparava as garrafas(utilizei o Camelbak apenas durante a tarde). A cadeira só serviu para mudar de roupa.
Por volta das 2 da manhã aquele raio que estava estragado lembrou-se de ceder e pimba! Entalo-o na roda e chego ao carro encontro o raio e começo à procura de quem tenha uma chave de cassetes, a equipa com os toldos da Maxxis deu-me uma ajuda, mas a cassete nem se mexe, aí lembro-me que a roda tinha sido apertada num torno... Não deu para desmontar a cassete, tirou-se o raio partido e lá continuei. Volto para o circuito, agora com mais calma. Paro para ver as classificações, vejo que estou em 5º lugar!!! A ultima vez que tinha verificado a minha posição tinha sido há hora do jantar e estava em 9º, fico entusiasmado, mas com o sono e o cansaço dou voltas acima dos 25 minutos. Encontro o Girão, damos uma volta juntos, tinha estado a dormir 3 horas, na meta para ver as classificações e eu continuo. a conversa ajudou-me a manter acordado e alerta.6:00 Horas
O sono está forte, quer entrar na minha cabeça tento lutar contra ele cantando umas coisas sem nexo. Por duas vezes quase que me desequilibro, passo pelo carro lavo a cara bebo o último Red Bull como e encho as garrafas e sigo caminho, o sol está a romper no horizonte, só faltam 6 horas, é nesta altura que começo a pensar nas minhas voltas de Domingo, tento por-me nessa situação, imagino que estou de saida e vou ter com o pessoal, as horas vão passar depressa e em breve serão 12:00,
7:00 Horas
O sol já está alto e está mais calor, mudo de roupa e sigo para a meta, quando vou para passar o chip verifico que não o tenho, deixo a bicicleta alí e corro para o carro procuro no chão e não a encontro começo à sua procura na roupa, mas não a encontro, tiro as caixas do carro e não a encontro, começo a pensar que poderei ser desclassificado, logo agora, que estava tudo a correr tão bem. Estou quase a desistir quando o mesmo bttista que me ajudou com a cassete da roda, me disse para procurar novamente na roupa, foi que eu fiz, e encontrei-a, apanho a bicicleta e lá vou eu. Estou cansado mas não esgotado e após 20 horas de prova ás 8:00 faço a minha melhor volta 19:17 após duas voltas a tentar manter a minha posição, a 700 metro da meta parto a corrente e o desviador fica torto... Procuro na bolsa o desmonta corrente, tenho os elos de engate rápido, mas não mas não encontro a chave. O Carlos e a Elisabete Rouxinol passam por mim, não têm o desmonta corrente, mas diz que na próxima volta trazem-no, com a corrente no bolso e sigo o percurso a pé. Passa por mim o Ricardo Melo e o José Salvado, perguntam o que aconteceu, explico e dizem que posso voltar para trás, só tinha que anular esta volta. Foi o que fiz, voltei para trás, fui buscar o desmonta corrente, tenho o drop-out torto ainda tento endireita-lo mas não consigo.
10:oo Horas
Vejo novamente as classificações, o Girão e eu estamos com o mesmo número de voltas e o Carlos Rouxinol, está a duas voltas de mim. Tenho duas opções ou desisto e fico na 7ª posição ou arranjo a corrente e tento manter o 6º lugar. Acabo por tirar uns elos à corrente e passo a bicicleta a Single Speed, encho o amortecedor com mais ar e passo o Propedal para a posição 3. Três voltas depois, e após muitas paragens para tornar a meter a corrente, não faço ideia se consegui manter o 6ª posição ou não, por isso mesmo em cima das 12:00 ainda tento passar a zona da meta para mais uma volta , mas já não fui a tempo.Fui consultar as classificações, consegui manter a 6ª posição, por pouco. Valeu a pena não ter desistido quando a corrente partiu! Ainda fico por ali um pouco, não me apetece arrumar as coisas no carro, mas tem que ser, já no chuveiro, parece que o corpo já sabe que a prova acabou e já me pode transmitir a sensação de dor, dos braços até à ponta dos pés, tudo doí... A entrega dos prémios era no centro comercial Alegro, almoço uma bela picanha com o Girão e o Miguel Pinto Gomes, trocamos histórias e vamos para a cerimónia da entrega de prémios. Faço-me há estrada parando em todas as estações de serviço que apanho, na primeira estaciono e durmo um pouco, depois foi lavar a cara, vidro aberto e casa!

Solo Masculinos
1º Ricardo Melo 71 voltas 471,44km 19,63 km/h
2º José Salvado 69 voltas
3º José M. Pinto Gomes 67 voltas
4º José Perez 57 votas
5º António Girão 53 voltas
6º Eu 50 voltas 332 km - 14,64km/h
7º Carlos Rouxinol 49 voltas
8º Filipe Roberto 43 voltas
9º Luís Rosado 43 voltas
10º João Cordeiro 42 voltas

Solo Femininos
1ª Filipa Gonçalves 54 voltas 358 km -15,6 km/h
2ª Elisabete Rouxinol 50 voltas
Bianca Oliveira 38 voltas

As classificações aqui.

Fotos : Smile-Foto, Sandrocca 1, Sandrocca 2, Sandrocca 3, Varadero, Pifa.
As fotografias deste foram tiradas pela Sandra da Horizentes (Sandrocca)

Mais há para dizer, mas fica para amanhã!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

As minhas12 Horas BTT em Proença-a-Nova

Sábado ás 15:00 tinha tudo preparado para a viagem, ainda voltei a casa umas duas vezes por coisas que me tinha esquecido, mas isso já é habitual... O único acessório que levei foi uma cadeira de lona que tirava do carro cada vez que lá ia, para descansar as pernas.
180kms Kms depois estava no Aeródromo de Proença-a-Nova, com o Alexandre, o organizador a fazer a recepção dos participantes que iam chegando.
Estacionei o carro e como fui sozinho, não tive que andar a montar a tenda.A primeira coisa que fiz foi ir levantar o dorsal ao hangar, as lembranças foi uma peça decorativa em madeira, a tradicional T-Shirt e um pinheirinho para plantar, a minha casa está rodeada de pinheiros, mas é isso mesmo que o planeta precisa não é?Depois de uma voltinha para ver como era o local, fui para o carro para tentar descansar um pouco, não consegui dormir, mas deu para descontrair. A certa altura oiço um helicóptero, a levantar voo e pouco tempo depois dois aviões tanque, mais um incêndio... Voltam a aterrar e a levantar voo mais uma vez, parece que o assunto ficou tratado!
Hora de comer o delicioso jantar que preparei, massa com atum...
19:00 da tarde, ponho as rodas na bicicleta e fui dar uma volta pelo circuito, nas 24 horas de Lisboa não fiz o reconhecimento, mas lá a prova começava de dia e aqui de noite e para não ter surpresas, lá fui.
Os trilhos eram largos e talvez por isso ninguém me pediu para "dar um jeitinho" para o lado. Só havia um trilho estreito, logo a seguir à descida mais perigosa.
Tenho que evidenciar as marcações! (esqueci-me de tirar uma fotografia), o percurso estava marcado com paus e placas com fita reflectora de várias cores, o que resultou muito bem! E pó, muito pó!Quando voltei ao carro, troquei o pneu de trás (IRC Serac 1.95)por outro igual e gasto mas com um pouco mais de cardado, o percurso tinha uma série de descidas rápidas e outras tantas subidas, iria precisar que o pneu de trás agarrasse. Creio que a única zona plana era na parte asfaltada perto da meta!
21:00 Pôr o dorsal e vestir, na parte de trás do dorsal estava um autocolante com um chip que funcionava através de dois sensores que estavam na zona da meta ao nível dos guiadores.Nunca tinha visto este sistema, parece interessante e nada complicado pelo menos para os participantes. 21:15 O Alexandre faz o breefing, lembrando as zonas mais perigosas, lembrou que queria fazer a partida tipo "Le Mans" (o pessoal todo a correr para apanhar a bicicleta, como fazem nos EUA), mas não foi possível, fica para a próxima.
10:00 Partida! Cá vamos nós. Grande nuvem de pó!!! Só dei uma volta à pista e de noite parecia tudo parecia diferente, ainda levou mais uma ou duas volta para que todos se dispersassem pela totalidade do circuito.
O plano que estabeleci foi dividir as 12 horas em 3 partes de 4 horas, das 22:00 ás 02:00; das 02:00 ás 06:00 e das 06:00 ás 10:00.
22:00 ás 02:00 - O Pó, a chuva da última semana não passou por aqui, e em certos locais havia poças de uma areia tão fina como pó de talco! Levei a luz na cabeça, por isso o foco iluminava o pó mesmo à frente dos olhos... A luz dada pelos Leds é boa e a minha bateria a alternar entre a intensidade mínima e média, durou a noite toda, mas tem um ponto fraco, a luz branca corta um bocado com a leitura do terreno em comparação com as luzes tradicionais, com uma luz mais quente, o terreno fica mais legível, 6 horas deu para tirar esta conclusão! Não levei a mochila, nas 24 horas levei-a e fiquei com uma dor forte no pescoço e desta vez não queria que isso tornasse a acontecer, volta sim, volta não passava pelo carro para ir buscar água com os pózinhos, desta vez abri também as embalagens das barras energéticas antes de as meter no jersey, sempre poupei mais um tempinho, pois como levo luvas fechadas, custa-me sempre abrir estas embalagens...
02:00-06:00 - Pelas 2 horas , fui ao carro para me abastecer e esticar as pernas e ver a classificação. Na altura em que fui levantar o dorsal, o Paulo Alexandre, explicou-me como é que a coisa funcionava com a informação das classificações, no hangar iria esta um computador onde bastava clicar na nossa categoria e logo aparecia a classificação, também dava para inserir o nosso dorsal e a informação aparecia toda, volta a volta incluído. Fui lá e verifiquei que estava na 10ª posição, atrás do António Girão!!! Uau! A "táctica" estava a resultar, a ideia era aproveitar as descidas para ganhar o tempo gasto nas subidas e para passar pouco tempo nos abastecimentos.
Mas nestas coisas acontecem sempre imprevistos... Estava com uma dor aguda no estômago... Creio que foi dos líquidos, provavelmente estava a beber demais, comi mais barras e gels em intervalos mais pequenos de 40 a 50 minutos e continuei a beber os líquidos mas com goladas mais pequenas. A dor continuou mas em intervalos mais longos. Entretanto o António Girão, passava por mim nas subidas como se estivesse a dar a sua última volta!
Ás 5,30 fiz o intervalo que estava previsto para as 6:00, corrente partida a 2 kms da meta, creio que nunca tinha partido uma corrente, era previsível, o sobe e desce constante obrigava a passar as mudanças de um lado aos outro, e aquela descida mais forte que terminava num regueiro e logo a subir a pique deu cabo do resto, pouco depois a corrente fez um barulho forte ainda pedalei para trás, podia ser a corrente a ficar entalada entre o quadro e os dentes, mas não, estava mesmo partida, corrente dentro do bolso pé a a caminho, pela primeira vez utilizei um elo rápido, nunca tinha utilizado, limpei a corrente com WD40 e lubrifiquei-a lavei as mãos com um papel húmido com cheiro a limão (vieram no saco das lembranças) comi o queque que tinha guardado para esta altura, foi uma prenda que dei a mim mesmo, deu para acalmar o estômago. Lavei os óculos e passei a ver o percurso bastante melhor pelo menos durante mais umas duas voltas. Fui ver as classificações estava em 13ª e o António Girão estava na 3ª posição!
Na minha volta de reconhecimento à tarde, levei cerca de 30 minutos a dar a volta, mas era de dia e estava fresquinho, aí até achei que apesar do sobe e desce até não era difícil, mas depois de 7 horas tinha mudado de opinião, não fiz nenhuma subida a pé, mas lá que custava, custava... A descida perigosa desci a primeira vez a pé, mas depois foi sempre montado, ás vezes é menos perigoso descer montado do que a pé, acreditem, tive mais medo depois da descida, pois ganhava-se uma grande velocidade e logo a seguir, havia umas pedras valentes com umas lombas...
06:00-10:00 A manhã trouxe a luz, como é que era possível ter feito aquelas descidas sem ver bem à noite??!!!! Agora tenho a sensação que desci a sentir mais o terreno com os pneus do que com os olhos, acreditem ou não. Entre as 6 e as 7, deu-me o sono a valer, montado na bicicleta, foi como se estivesse a dormir, mas montado na bicicleta, comecei a cantar uma lenga-lenga qualquer, deve ter sido a volta mais lenta, fui passado por uma participante que me deve ter achado um pouco, digamos que com uns parafusos a menos, meia hora depois de chegar ao carro, passar a cara por água e beber mais um Red Bull, a fase mais estranha e difícil da prova estava passada.
Agora era mais fácil, era domingo de manhã, era como se fosse um passeio de Domingo mas que acabava mais cedo, lá para as 10 da manhã. Não parei para o pequeno almoço, que estava marcado creio que para as 9:00 vi uma mesa creio que com laranjas, mas a verdade é que nem me lembrei de parar. 9:00, queria passar na meta antes das 10:00 para conseguir dar mais uma volta, mesmos que essa última volta demorasse mais tempo. Foi nesta altura que falei com outro participante, disse-lhe: "Hoje já não passo mais por aqui..." e pronto começamos uma conversa que durou os últimos 4 ou 5 kms da prova, o que fez com que a nossa cabeça se esquecesse do cansaço. O meu colega de volta, já era veterano nestas andanças com participações nas várias provas de 24 horas do nosso Portugal e também participava a solo! No fim cumprimentamo-nos e não o tornei a ver. Hoje, enquanto navegava à procura do rescaldo das 12 horas encontrei o blog do Paulo Vieira, o meu colega da última volta!!! Porreiro, o meu colega de volta é um blogger.
Já de manhã...
A minha montada
Fim de Prova, passei pelo computador com a informação da classificação, estava em 9º, fiquei bastante satisfeito, mas ainda não eram as classificações finais. Lavei a bicicleta arrumei-a no carro e fui tomar banho, a organização improvisou uns chuveiros para os homens, não os vi porque tentei a sorte no único chuveiro no hangar, e tive sorte, não estava lá ninguém.Já falei nisto algumas vezes, mas era só para dizer que o último design dos punhos, estão aprovados!
Devo ter bebido mais de um litro de Coca-Cola...
Almoço, servido à maneira, servidos como se estivéssemos num casamento, o pessoal que estava a servir vestidos a rigor com camisa branca colete preto. Uma grande variedade de massas e lasanha bem como uma bela sopa, o melhor almoço que já tive nestes eventos. Almoçei com os meus vizinhos do lado uma equipa de dois, tiveram um furo e um desviador partido obrigou-os a utilizar a mesma bicicleta, selim para cima e para baixo... Mas o que interessa é acabar.
Nem esperei pelo café, fui à procura de uma sombra abri as janelas e descansei um pouco no carro, meio atravessado mas deu para descansar, uma hora ou duas depois arranquei e fiz os 180 kms de volta a casa.
O Recaldo e fotografias no Forum BTT.
O site da prova 12 Horas BTT.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

3º GeoRaid Series Lousã - Os 3 dias

Depois de uma conversa com o António, surgiu a ideia de participar no GeoRaid. Demos algumas voltas de bicicleta de estrada, vimos que os nossos feitios eram compatíveis. Estávamos prontos para o fim de semana de 18 e 19 de Outubro do 3º Geo Raid Series Aldeias de Xisto - Lousã. Sexta-feira, depois de jantarmos uma pizza, partimos em direcção à Lousã. Custou um pouco, mas ao longo da viagem lá me fui habituando à ideia da bicicleta ir em cima do carro...Fomos directos ao hotel onde estava a realizar-se o briefing da prova, já chegamos atrasados, mas ainda deu para carregar o GPS e rever alguns amigos tais como o "Torpedro"que conheci numa das voltas das 24 Horas de Lisboa de 2008 e conhecer outros como o "Frinxas" que conseguiu o 2º lugar nas 24 Horas de Viseu deste ano.
Não ficamos no Melia porque como jovens que somos, preferimos ficar na Pousada da Juventude juntamente com mais dois colegas do Clube BTT do Juncal. Depois de muita conversa e histórias lá acabamos por adormecer.
De manhã a confusão do costume, a bicicleta estava com o dorsal e lubrificada mas ainda faltavam as barras, os geis, a água, os hidratos líquidos, etc... Será que estava tudo?
A equipa "Os Manos Valentes", Sérgio e Jorge Valente, ficaram em 3º lugar.
Eu e o António, a manhã estava um pouco fria. Mas depois da partida, os 12 kms de subida, proporcionaram logo um bom aquecimento.
Em Gondramaz, uma das aldeias de Xisto.
Parámos algumas vezes para comer e esticar as pernas. Talvez não seja a melhor coisa a fazer durante uma competição, mas por outro lado, não quisemos descuidar a alimentação e as subidas que se seguiam mereciam o nosso respeito.
Optámos por levar o Camelbak, foi um pouco difícil para mim carregar 1,5 litros de água e ferramentas ás costas. Como treinei mais com a bicicleta de estrada não andei com este peso ás costas, sofri um pouco com isso.Havia também algumas descidas.
As zonas com os eucaliptos eram as menos atrativas.Os quilómetros nas pernas já eram muitos quando chegamos ao último parque éolico.
Depois de virarmos à esquerda iniciamos a parte final do primeiro dia, já não havia aquelas subidas enormes e o cenário era bastante mais interessante. Não vimos desta vez os veados. A descida foi fantástica, super rápida, sempre na nossa mão pois a estrada é frequentada pelo transporte do pessoal do downhill .
Primeiro dia feito!
O António Girão já tinha chegado. Este atleta partiu o dropout a 50 kms da meta. Como só conseguiu montar com a relação que vemos em baixo, teve que fazer grande parte do percurso a pé. O mérito de conseguir terminar pertence também ao colega de equipa que levava uma corda para puxa-lo quando era possivel. A vontade de concluir a a 3ª prova deste ano era grande pois quem concluisse as 3 provas recebia este fim de semana um jersey de Finisher. No dia seguinte estavam na linha de partida com a bicicleta da esposa!
A descida para a meta deixou algumas marcas...

Depois de um grande jantar adormecemos mais rapidamente que na noite anterior, porque será???...
Uma das caracteristicas do GeoRaid é que a classificação final é igual para todos, não há escalões. Para equilibrar mais as diferenças de idade e de sexo havia os handicaps, que se resume a que quem tinha mais idade saia mais cedo assim como as senhoras. No Domingo a primeira equipa a sair partiu ás 7:53. Nós, partiamos ás 8:30. Mas o tempo não estica e atrasamo-nos um pouco, quando estávamos a ir para a zona da partida passamos pelos outros participantes, que já estavam em prova. Depois de nos apresentarmos na zona de meta lá fomos nós. Mas não fomos os únicos pois o Team Amarante, João Marinho e o José Silva, estavam a chegar de carro!!! 10 minutos depois passaram por nós e terminaram em 4º lugar!!!O António à frente com o GPS e eu na roda.
Mais uma vez subimos, desta vez 20 kms. Apesar das barras de proteinas que comi no dia anterior, o corpo está dorido assim como os gluteos, resultado de uma nova afinação dos cleats. Na verdade até estava satisfeito com esta dor, era sinal que a afinação estava a dar resultado, mas este assunto fica para outro post.
Chegamos ás antenas, vamos descer!
O segundo dia teve paisagens fantásticas. quando era possivel, olhava para os outros montes e viamos as nuvens de pó dos colegas a descer.
No aeródromo mais alto de Portugal.
Uma das zonas mais bonitas da prova.
O António teve que me chamar, tirei umas 5 fotografias aqui!!! Depois foi sempre a pedalar ,mais um gel e toca a andar. Estavamos a chegar ao fim da prova, tinhamos vindo a andar bem mas a gerir o esforço até aqui. Agora era dar o que tinhamos. Apanhamos uma equipa, que depois se afasta, mais tarde tornamos a apanha-la e conseguimos passar mais duas.
Não sabiamos o que nos esperava, não tinhamos feito nenhum reconhecimento do segundo dia... As equipas que tinhamos passado aproximam-se novamente sempre a puxar... Umas vezes vai o António à frente outras vezes vou eu. Depois foi um outro colega de prova. Mas logo nos metemos à frente. Resumindo, foi sempre a puxar até ao fim, nos dois minutos após a nossa chegada, chegaram 4 equipas.
Não corriamos para pódio nenhum, ficamos em 75º lugar em 109 participantes, mas este final foi como se pedalassemos para o primeiro lugar. Foi um gozo enorme, também estávamos alí para isso. Queriamos tirar essas sensações do nosso corpo, da nossa cabeça. Foi isso que aconteceu. Ao passarmos a linha de meta fiquei com a sensação de que dei o meu melhor. Nunca tinha dado tanto de mim numa prova, como já tinha dito antes, queria desenvolver mais este lado competivitivo em mim e resultou.

No dois dias de prova a organização organizou um pequeno buffet para matar a fome, altura para encontrarmos amigos e falar de bicicletas.
Estão a ver esta bicicleta???
Sim, é uma ???!!!
Gary Fisher Superfly !!!
Na Sexta-Feira no briefing encontrei o Nuno Luz e fiquei a saber que tinha trocado a sua suspensão total Hi-Fi Pro 29 pela Superfly. No Domingo finalmente tive a oportunidade de andar na 29er mais famosa do mundo, 10kg de bicicleta.
A bicicleta ideal a condizer com o meu equipamento!!!! A rigidez é fantástica, cada pedalada resulta num disparo para frente sente-se que não há desperdício nenhum de energia. Habituado a suspensão total, fiquei com vontade de fazer um teste de umas horas numa rígida, pode ser mesmo numa 26!!!!
Eu e o Nuno Luz com as nossas montadas.
Na prova para além das duas Gary Fishers, estava mais uma Orbea Alma 29er. Foram 3 bicicletas 29ers em prova, para o ano serão mais. Em conversa com o João Marinho do Team Amarante ele disse que iria experimentar uma 29er!
O Geo-Raid terminou, valeu o trabalho e os treinos. Quando surgiu a ideia de fazer o GeoRaid, estava um pouco apreensivo em fazer equipa. Mas quando começei a treinar com o António vi que a equipa iria funcionar bem e não me enganei. Esperámos sempre um pelo outro, não nos chateamos, não discutimos. O final dos dois dias foram espectaculares, sempre a puxar. Excelente equipa, fiquei com vontade de voltar para o ano que vem.
Mais fotografias aqui.